Bares e restaurantes de Brasília iniciam movimento para evitar embalagens de difícil reciclagem

Boicote revela apenas uma das vantagens da lata sobre o vidro      

Um movimento espontâneo, iniciado em um bar de Brasília (DF), deixou claras algumas das vantagens ambientais da lata de alumínio para bebidas sobre as outras embalagens: a eliminação e o reaproveitamento total de resíduos. Bares e restaurantes se uniram e decidiram boicotar a comercialização de embalagens de vidro descartável, deixando de destinar ao aterro sanitário da capital federal toneladas e toneladas de resíduos. A solução encontrada contou com o apoio da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) e do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) do Distrito Federal.

Em fevereiro do ano passado, foi sancionada a Lei Distrital nº 5.610/2016 que dispõe sobre a responsabilidade dos grandes geradores de resíduos sólidos, atingindo bares e restaurantes que produzem mais de 120 litros diários de lixo. Desde o início de agosto, os grandes geradores de resíduos tiveram que gerenciar o lixo produzido. Se for reciclável, o SLU continua coletando. Se não for, os geradores (os bares e restaurantes, no caso), têm que dar um destino adequado às embalagens usadas.

Diante da inviabilidade da reciclagem das garrafas de vidro descartáveis no Distrito Federal, o bar Pinella tomou a iniciativa em junho de 2017 de suspender a venda de cervejas em embalagens de vidro descartáveis (as chamadas garrafas long necks), substituindo-as por chope e por cervejas em latas de alumínio. Flávia Attuch e Marta Liuzzi, as proprietárias, contam que a decisão recebeu o apoio imediato dos frequentadores. “Não houve rejeição. Quando a gente explica o motivo, o pessoal aplaude”, comemora Flávia. “Passaram a consumir mais chope e cerveja em lata”, completa Marta, informando que conseguiram reduzir pela metade o lixo diário produzido após o boicote. Em uma rede social, os comentários mostram que o consumidor apoia decisões sustentáveis. “Deu até vontade de frequentar mais esse local”, disse um internauta. “É um exemplo para a sociedade”, reforçou outro comentário. “Se todos agissem assim, a situação da coleta reversa seria resolvida!”, analisou um consumidor.

No mês seguinte, outros estabelecimentos aderiram ao boicote às long necks. “Além de todo o impacto ambiental, o descarte nos lixões e aterros provoca sérios riscos aos catadores”, advertem os comerciantes em manifesto divulgado aos consumidores. O movimento tem tudo para viralizar por outras cidades, acredita Rodrigo Sabatini, presidente do Instituto Lixo Zero Brasil, que percebeu o apoio dos frequentadores. “O consumidor brasileiro é um dos mais conscientes do mundo. Adapta-se bem a mudanças e quer ajudar, quando a questão é sustentabilidade”, avaliou.

Desde o ano passado, o SLU passou a considerar o vidro como rejeito, ou seja, material não reciclável. A fábrica de vidro mais próxima de Brasília fica a 864 quilômetros de distância, no interior de São Paulo. O custo do frete para transportar o rejeito até lá é mais caro do que o valor da sucata. Estima-se que 22 mil toneladas de vidro sejam aterradas por ano no DF, representando um custo elevado na coleta e reduzindo a vida útil dos aterros. O problema se repete em outras regiões, já que as fábricas de garrafas de vidro estão localizadas apenas em seis estados.

A medida adotada pelos comerciantes de Brasília atinge, além da cerveja em embalagem long neck, outras bebidas vendidas em garrafas de vidro, como destilados, refrigerantes e água. “Entendemos essa decisão como um estímulo ao equacionamento, pelos produtores e distribuidores das bebidas supramencionadas, da logística reversa de suas embalagens”, esclarecem.

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Fonte: ABRALATAS – Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio

 

 

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