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Europa investe na reciclagem de tampas de alumínio para vinhos

Aumento de 50% de coleta e reciclagem é impulsionado por campanhas nacionais de conscientização

Depois de conquistarem os apreciadores de vinho para o consumo da bebida envasada em garrafas com tampas de rosca, países europeus investem na reciclagem das screw caps de alumínio.

De acordo com dados divulgados pela campanha Aluminium Closures – Turn 360°, realizada pela Alufoil, Associação de Folha de Alumínio da Europa, a taxa média de reciclagem aumentou mais de 50% em 2016.

Grande parte dessa melhoria é resultado da aplicação de inovações nos sistemas de coleta e reciclagem. Em países europeus, as tampas de alumínio usadas em garrafas de vinho, assim como de água e azeite, são coletadas soltas ou juntamente com as garrafas.

Diversos países incentivam a prática do descarte correto, como acontece, por exemplo, na campanha nacional dinamarquesa Keep the Cap on. No Reino Unido, os consumidores são orientados a manter a tampa nas garrafas após o consumo, para facilitar a coleta. Campanhas semelhantes de orientação também são realizadas na Itália, para conscientizar a população sobre a viabilidade e a importância da reciclagem das tampas de rosca de alumínio.

 

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Trajetória de inovação

Especialistas expõem crescimento de mercado e potencial para a criação de soluções inovadoras

O atual cenário dos mercados nacional e internacional das embalagens de alumínio  foi o tema central de debate do painel  de Embalagens do  7º Congresso Internacional do Alumínio, realizado simultaneamente à edição 2016 da Expo Alumínio promovida pela Abal (Associação Brasileira do Alumínio), em São Paulo, de  7 a 9 de junho. 

Especialistas da indústria do alumínio e desenvolvedores de embalagens apresentaram estatísticas, inovações e tendências do segmento. Os palestrantes destacaram a participação do metal no desenvolvimento de embalagens que estão em sintonia com as necessidades e expectativas do consumidor contemporâneo: segurança dos alimentos, praticidade e sustentabilidade. 

De acordo com Celso Soares, coordenador do Comitê de Mercado de Embalagens da Abal, hoje o segmento é responsável peloconsumo de 37% da produção de alumínio  no país, o que representa 478 toneladas por ano. “Pesquisas constatam o crescimento contínuo da utilização do alumínio pelo mercado de embalagens.  O índice de participação registrado em 2013 era de 29%, com um consumo de 445 toneladas”, informou Soares.

Ao apresentar tendências do mercado internacional, Stefan Glimm, diretor geral da GLAFRI (Global Aluminium Foil Roller Initiative), ressaltou produtos que, graças aos avanços tecnológicos da produção da folha de alumínio, conquistam novos mercados na Europa. Entre eles Glimm destacou as tampas derosca para vinhos, hoje utilizadas pelas principais vinícolas europeias para bebidas de consumo rápido. Glimm disse acreditar que, em breve,  as tampas de alumínio também serão usadas em garrafas de vinhos de reserva, devido às vantagens dessa solução. 

“Com certeza, a expansão do uso da folha de alumínio em embalagens será contínua, já que suas potencialidades de aplicação são infinitas e as características próprias do metal são capazes de ampliar o shelf life dos alimentos, auxiliando no combate ao desperdício, que hoje está em 30% de toda produção mundial”, registrou o diretor geral da GLAFRI.

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Participantes do painel “Embalagens de Alumínio”.

Essa evolução, segundo Antonio Adão Parra, diretor comercial da fabricante Embalagens Flexíveis Diadema, também deve-se ao desenvolvimento de novas tecnologias de produção. Para exemplificar, Parra lembrou da trajetória das embalagens de café, produto que ao longo dos anos ganhou maior garantia de conservação de sabor e aroma. “As embalagens de papel foram substituídas por produtos inovadores devido à aplicação do alumínio. Hoje ometal nos permite, além das almofadas, oferecer modernas embalagens a vácuo”, afirmou.  

Em relação à aplicação do alumínio em substituição a embalagens tradicionais, o diretor da Tetra Pak, Salvador Marino, destacou o uso das cartonadas assépticas no segmento de azeites. O produto, tradicionalmente envasado em vidro ou lata de aço,  começa a contar com os benefícios de embalagens metalizadas.  De acordo com o executivo, assim como no caso dos azeites, “o alumínio é um forte aliado da empresa no desenvolvimento de soluções para o fornecimento de alimentos frescose sem conservantes, que aliam conveniência, praticidade e segurança”.

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Vinho para todos

Bebida em embalagem cartonada asséptica protege aroma e sabor, reduz custo de produção e torna produto mais acessível para os brasileiros

Com um consumo per cápita de menos de dois litros ao ano, o vinho ainda é considerado no Brasil um produto de luxo, diferente de outros países, em especial os europeus, onde a bebida faz parte do dia a dia do consumidor.  

Dados do instituto de pesquisa Mintel mostram que o vinho de mesa representa 69% do volume da bebida comercializada no mercado brasileiro. E 80% do consumo está concentrado em vinhos de até R$ 20,00.

Essa relação direta entre preço e consumo favorece a opção pelo vinho wine in box, envasado em embalagem cartonada asséptica, cuja redução de custo pode chegar a cerca de 15%, em comparação ao engarrafado. Como lembra a sommelier Marcia Anholeti, a embalagem cartonada é fácil de transportar, empilhar e o custo é mais reduzido que o vidro e a rolha. “Além do peso quase insignificante, diferente da garrafa que pode chegar ao mesmo peso do vinho”, avalia.

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Outro benefício está na conservação do produto. O vinho, quando entra em contato com o ar e a luz, vai perdendo aroma e sabor e, consequentemente, suas características originais, em cerca de dois dias, após a abertura da garrafa. As bebidas envasadas nas cartonadas têm como aliadas a proteção do alumínio, um dos componentes dessas embalagens. E a embalagem é prática para o consumidor. Fácil de abrir e pode ser fechada novamente.

“O vinho envasado nas cartonadas têm como aliado a proteção do alumínio”

O wine in box é comum em países como Austrália, Estados Unidos, Londres, Rússia, Argentina e Chile. E, segundo Marcia, a embalagem também é utilizada para vinhos rosés e tintos franceses, indicados para consumo rápido, principalmente no verão.

No Brasil essa cultura de vinho em caixa demorou um pouco mais, e somente nos últimos anos é que começaram a surgir no mercado. Entre várias marcas, a sommelier cita as vinícolas Casa Valduga e a Perini. A vinícola chilena Concha y Toro também resolveu apostar no mercado brasileiro, sendo a primeira a trazer para o País a bebida importada, em embalagem de 1 litro de vinho tinto e branco Clos de Pirque.

As cartonadas assépticas começaram a ser utilizadas na Austrália para vinhos com preços mais baixos e venda em quantidade. Depois de caixas de 4,5 litros, equivalente a seis garrafas de 750ml, quantidade da embalagem padrão de vidro, hoje apresentam versões diferentes. “São comercializadas em tamanho individual, 200ml, até 4.500ml, seis garrafas. Tudo vai depender do desejo do produtor. No Brasil, em geral, as caixas são de 3.000ml, equivalente a quatro garrafas”, conclui a especialista.

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Prático e barato

Embalagem “longa vida” garante bebida saborosa, aromática e mais barata

Apesar de não serem muito populares nas prateleiras dos supermercados brasileiros, o vinho envasado em embalagem cartonada asséptica, o wine in box, vem ganhando adeptos em diferentes países nos últimos anos. Isso porque as caixinhas são mais práticas que a garrafas e os vinhos são mais baratos.

O wine in box é fácil de abrir e pode ser fechado e guardado na geladeira por até 30 dias, porque além da torneira de saída do vinho não permitir a entrada de ar, a embalagem conta ainda com a proteção do alumínio na sua estrutura. São detalhes fundamentais para manter o sabor e o aroma do vinho.

De acordo a sommelier Marcia Anholeti, engana-se quem resiste aos vinhos envasados em cartonadas por receio de comprar bebidas de má qualidade. Ela explica que a embalagem é indicada para vinhos simples de mesa – brancos, rosés e tintos -, que podem ser consumidos em embalagens individuais ou servidos em taças durante as refeições e festas, por exemplo.

Entre os produtores nacionais, rótulos das vinícolas Casa Valduga e Perini estão entre as opções. Bebidas importadas também podem ser compradas em supermercados e lojas especializadas de vinho, como o rótulo Clos de Pirque, da vinícola chilena Concha y Toro, que trouxe para o Brasil vinhos tinto e branco, em embalagens de 1 litro.

A embalagem começou a ser utilizada na Austrália para vinhos com preços mais baixos e venda em quantidade. Surgiram caixas de 4,5 litros, equivalente a seis garrafas de 750ml, quantidade da embalagem padrão de vidro. Hoje apresentam versões diferentes e são comuns nos Estados Unidos, Londres, Argentina e Chile. “São comercializadas em tamanho individual, de 200ml, a até 4.500ml, o equivalente a seis garrafas. No Brasil, em geral, as caixas são de 3.000ml, equivalente a quatro garrafas”, conclui a especialista.

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Tampa ou rolha?

Vantagens das screw caps de alumínio rompem preconceitos e dispensam o uso da rolha em garrafas de vinhos jovens

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Trocar o saca-rolhas por um simples giro com as mãos para abrir garrafas de vinhos é uma facilidade que vem conquistando a preferência dos apreciadores da bebida na Europa, África do Sul, Nova Zelândia, Austrália, França, Estados Unidos, Chile e Argentina, onde as rolhas de cortiça estão sendo substituídas pelas tampas de alumínio, derrubando o estigma de falta de qualidade dos vinhos engarrafados sem rolhas.

De acordo com a sommelier Marcia Anholeti, a tampa de alumínio é utilizada para vinhos que não precisam de envelhecimento, vinhos jovens, brancos e rosés. Para essa categoria de vinhos a rolha não faz diferença, é apenas mais um charme e tradição. A rolha é um produto extremamente caro, além da árvore Sobreiro, da qual é extraída a cortiça, estar em extinção. “Sendo assim, o uso de rosca para vinhos com preços mais em conta também é uma solução para não elevar o preço final da bebida”, explica.

A rolha sintética é pouco aceita no mundo do vinho. Isso, segundo a especialista, porque o material não é poroso, o que não permite a “dilatação” necessária para um lacre 100%. Apenas ganha no quesito poder usar um saca-rolhas e manter a tradição de puxar a rolha.

Além da praticidade, o uso de screw caps favorece a conservação do aroma e do sabor da bebida. Um dos motivos de o vinho estragar é a entrada de oxigênio na garrafa. E com o fechamento com tampas de alumínio a garrafa fica completamente protegida da entrada de ar.

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“As tampas de alumínio utilizadas para vedação de vinhos possuem uma camada protetora evitando o contato direto do metal com o líquido e não permitem a troca de oxigênio com o meio. Além disso, por se tratar de um material inerte e inorgânico, qualquer contaminação se torna impossível, garantindo as características aromáticas e o perfil de sabores originais do vinho”, explica o enólogo André Peres Jr.

O uso das tampas de alumínio ainda permite o armazenamento das garrafas na vertical e o fechamento após o consumo. O vinho também fica livre da transmissão do chamado “gosto de rolha”, o efeito bouchoneé, que tem origem em fungos que contaminam a rolha e ocorre em cerca de 5% a 6% das garrafas de todo o mundo.

Para os vinhos de guarda, os que precisam ser envelhecidos às vezes por décadas, a rolha continua a ser usada, embora já hajam testes para avaliar a evolução da bebida engarrafada com tampas de alumínio, segundo

Lourdes Conci da Silva, gerente de Marketing da Vinícola Aurora, uma das pioneiras no Brasil a adotar as tampa de rosca, que hoje são utilizadas em todas as linhas de vinho de mesa e de consumo rápido, cerca de 80% da produção.
Saiba mais no vídeo da sommelier Marcia Anholeti.