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Índice de reciclagem da latinha reflete mudança de mentalidade

Ao manter a liderança no ranking de reutilização do alumínio da lata para bebidas, Brasil evolui em práticas sustentáveis

O mais recente Índice Nacional de Reciclagem de Latas de Alumínio mostrou que o Brasil continua no caminho certo: em 2016, o país reciclou 97,7% do produto, o que o mantém entre os líderes mundiais no quesito.

Divulgados pela ABAL e pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas), em outubro, os dados mostram que das 286,6 mil toneladas disponíveis no mercado, cerca de 280 mil passaram pelo processo de reciclagem. Além dos benefícios ao meio ambiente, a reciclagem de latas representou cerca de R$947 milhões injetados na economia nacional no ano passado.

Os bons índices têm colocado o Brasil entre os melhores em reciclagem de latas de alumínio desde 2001, mas o que isso significa na prática? Ainda há espaço para avanços? A maneira das empresas enxergarem a questão mudou realmente ou um trabalho de conscientização ainda se faz necessário?

Para Maria Zulmira de Souza, consultora em comunicação estratégica para sustentabilidade, “as empresas se deram conta de que não podem ficar jogando fora uma matéria-prima nobre como o alumínio. Não faz sentido se desfazer de um material que já teve um alto custo para a produção da embalagem”.

“A reciclagem de latas de alumínio representou cerca de R$947 milhões injetados na economia nacional em 2016”

A consultora coloca o Brasil em uma fase de transição: há empresas e consumidores que veem a reciclagem somente como uma obrigação e outras que já perceberam a real importância da questão e as tem como parte de sua cultura.

“As empresas que fazem relatórios específicos sobre sustentabilidade estão em número cada vez maior”, diz a consultora. “Quem hoje procura somente cumprir a legislação está defasado. É ótimo termos um índice de reciclagem de latinhas tão bom. Mas, para continuarmos a avançar, precisamos estar atentos, por exemplo, ao índice de reciclagem de outros materiais também”, acredita Zulmira.

Presidente-executivo da Abralatas, Renault Castro ressalta que o índice de 97,7% é ainda mais notável porque, em países com índices superiores como Finlândia e Alemanha, a reciclagem é obrigatória, diferente do Brasil. “Além disso, eles produzem um volume de latinhas consideravelmente menor que o nosso. Isso significa que nosso índice tem um valor ainda maior, por se tratar de um descarte voluntário, com uma abordagem social”.

Para Castro, o maior desafio está em manter esse índice. “Para isso, precisamos manter o sistema de compras, de avaliação de preços de mercado, aumentar os postos de coleta e melhorar a comunicação entre as cooperativas para que elas ganhem em eficiência e produtividade.”

 

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Lata de alumínio para alimentos reduz custos de transporte e pegada de carbono   

Características sustentáveis da embalagem devem impulsionar sua adoção pela indústria alimentícia nacional

O sistema de transporte mais eficiente possibilitado pela utilização de latas de alumínio para embalar alimentos reduz o custo com combustível e a  emissão de CO2 , em comparação com embalagens produzidas com aço.  Os dados são comprovados por pesquisas realizadas pela Novelis, empresa fornecedora de laminados.

De acordo com o levantamento, um caminhão carregado com 50 mil latas de alumínio de atum, por exemplo, apresenta uma redução de peso de 1.398 kg, em relação às de aço, devido à leveza característica do metal.  Uma vantagem que reflete diretamente no consumo de combustível e no aumento de carga útil, uma vez que o limitante seja o peso total do veículo + carga. 

No exemplo citado acima, a economia de combustível chega a 5,59 litros a cada 100 km. E com isso, a economia de combustível gerada no transporte de 50 mil latas de atum com embalagens em alumínio pode ultrapassar R$ 77 mil ao longo de uma vida útil do caminhão estimada em 500 mil km, de acordo com o estudo da Novelis.

Menos viagens e menos gasto de combustível beneficiam diretamente o meio ambiente, fortalecendo as políticas de sustentabilidade da indústria alimentícia,  já que o transporte de alimentos embalados em latas de alumínio reduzem 1,39g de CO2 a cada 100 km rodados, totalizando 699 Kg em 500 mil km rodados.

“Redução de peso pode gerar economia
de R$ 77 mil no transporte
de 50 mil latas de atum”

Esses benefícios gerados pelas propriedades do alumínio contribuem para incentivar a adoção de latas totalmente produzidas com o metal pelo mercado brasileiro de alimentos, segundo Fernando Wongtschowski, gerente de Marketing da Novelis. Hoje ainda são utilizadas latas de aço no Brasil, apesar da crescente opção pelas tampas easy open com anéis de alumínio.

Outra vantagem das latas de alumínio, que muito contribui para a sustentabilidade da indústria alimentícia, além de reduzir a pegada de carbono, é sua reciclabilidade. A lata de alumínio possui uma cadeia de reciclagem completamente estabelecida e altamente eficiente entre todas as embalagens, o que está em sintonia com iniciativas voltadas ao controle do aquecimento global.  A Novelis, por exemplo, garante que hoje pode oferecer chapas e folhas para a fabricação de latas de alimentos contendo mais de 90% de matéria-prima de origem reciclada.

A lata de alumínio está entre as “embalagens verdes”, que, segundo a empresa,  são cada vez mais é um fator fundamental na escolha do produto pelos consumidores. Pesquisas apontam que 61% dos consumidores norte-americanos têm considerado as embalagens verdes ao decidir qual produto comprar e quase 70% consideraria trocar de marca, se elas comprovassem melhores práticas ambientais, como mostra dados fornecidos pela Novelis.

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Arte na Lata

Prêmio Novelis incentiva novos projetos de embalagens de alumínio que priorizam a sustentabilidade

A lata de alumínio para bebidas favorece a aplicação de novas tecnologias capazes de agregar valor à embalagem, como a realidade aumentada, que permite a interatividade do consumidor. O uso dessa inovação foi destaque no Prêmio Novelis de Sustentabilidade, na categoria Arte na Lata, concedido ao projeto Chá Mego, de autoria de Thais Helena Behar, estudante do Instituto Europeo di Design.

“A realidade aumentada permite integrar os mundos virtual e real. Através dessa tecnologia é possível explorar áreas de informação, conseguindo uma maior conexão e interação com o consumidor”, explica Behar.

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Na embalagem, criada pela estudante para um chá sabor laranja a partir do tema Brasil Sustentável, com o uso de um aplicativo e uma câmera de celular, o consumidor tem acesso a informações sobre o produto e outras que o remetem ao universo da sustentabilidade. Basta baixar o aplicativo Bipper e focar a câmera nas diferentes imagens impressas na lata.
Ao visualizar o símbolo de reciclagem, o consumidor recebe informações sobre o processo de reciclagem do alumínio. A ilustração de flor de laranjeira remete a dados sobre o chá e seus benefícios. A imagem do pássaro Mariquita, presente em regiões de plantação de laranja no Brasil, transporta o consumidor a uma página da internet que traz comentários sobre o pássaro e preservação ambiental. A imagem de uma nota musical ainda dá acesso ao canto do pássaro e ao jingle do produto.

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O Prêmio Novelis de Sustentabilidade reuniu 99 trabalhos de todas as regiões do País. Os projetos inscritos na categoria Arte na Lata foram avaliados sob a ótica de critérios estabelecidos com base nas premissas do prêmio, cujo principal objetivo é reconhecer ideias e/ou projetos inovadores sobre as temáticas propostas, segundo Eunice Lima, diretora de Comunicação e Relações Governamentais da Novelis.

A iniciativa terá continuidade, segundo a diretora, porque vai ao encontro da política da empresa, que “acredita no poder de transformação das ideias e das práticas sustentáveis”, afirma Eunice Lima.

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Coleta Seletiva

Rota da Reciclagem aponta locais de entrega de embalagens em todas as regiões do País

Para auxiliar o consumidor a participar de ações voltadas à coleta seletiva de embalagens, a Tetra Park, líder mundial em soluções para processamento e envase de alimentos, mantém há sete anos o programa Rota da Reciclagem. Ao acessar www.rotadareciclagem.com.br, basta informar o endereço para saber o ponto de entrega de materiais recicláveis mais próximo de casa ou do trabalho. Na mesma página da internet, o consumidor também encontra informações sobre reciclagem e outras iniciativas voltadas à preservação do meio ambiente.

“A principal finalidade do Rota da Reciclagem é apontar a localização e o contato de cooperativas, pontos de entrega voluntária e comércios ligados à cadeia de reciclagem de embalagens da Tetra Pak pós-consumo e de outros materiais recicláveis, em todo o País”, explica Juliana Seidel, gerente de Desenvolvimento Ambiental da Tetra Park.

A ferramenta, buscador que utiliza a plataforma do Google Maps, tem mais de cinco mil pontos cadastrados, distribuídos por todas as regiões, e também está disponível como aplicativo para usuários de iPhone, iPad e sistema Android. E a Rota da Reciclagem ainda pode ser seguida pelo Twitter e Facebook.

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De acordo com Seidel, após o encaminhamento dos materiais para qualquer um dos locais identificados, é feita a triagem e encaminhamento às indústrias recicladoras instaladas em diferentes cidades. Em 2014, foram recicladas cerca de 76 mil toneladas apenas de embalagens longa vida coletadas nos pontos monitorados pelo programa. Elas são 100% recicláveis e podem ser transformadas em caixas de papelão, canetas, vassouras, telhas, placas para construção civil, entre outros materiais.

Devido aos bons resultados alcançados no Brasil, a empresa lançou há três anos uma versão em espanhol, que traz os principais pontos mapeados na Argentina, Chile, Panamá, Costa Rica, República Dominicana, Paraguai e Uruguai. Hoje, o www.rutadelreciclado.com tem cerca de 500 pontos cadastrados e ainda deve ser ampliado para toda a América Central e do Sul.

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Valor agregado

Embalagem pode definir a escolha do consumidor no ponto de venda, aponta pesquisa

Para o consumidor do século 21, o diferencial dos alimentos e bebidas pode estar na embalagem, como aponta pesquisa realizada pela MeadWestvaco Corporation (MWV), empresa global de embalagens que fornece soluções em diversas áreas como saúde, alimentos, bebidas e agronegócio.

Realizado no final de 2014, o levantamento aponta que o consumidor brasileiro sofre maior influência das embalagens em relação aos chineses, franceses, alemães e norte-americanos. Na análise das atitudes dos consumidores no momento da compra, 52% afirmaram que a embalagem é muito ou extremamente importante para satisfação com o produto, contra 31% da totalidade dos cinco mil entrevistados da pesquisa.

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Embalagem pode definir a escolha do consumidor no ponto de venda, aponta pesquisa.

No resultado global, 69% afirmaram que o fato de a embalagem ser facilmente reciclada ou aproveitada é extremamente importante. O item sustentabilidade foi apontado como um dos atributos que podem ser reforçados pelos fabricantes.

A inovação das embalagens é apontada como um recurso para melhorar a segurança dos produtos por 30% dos brasileiros, índice acima da média mundial de 25%. E 92% dos brasileiros afirmam que o desenvolvimento de novas embalagens tornou os produtos mais convenientes e de fácil uso.

De acordo com Assunta Camilo, diretora do Instituto de Embalagens, os resultados refletem, além da importância da embalagem para o consumidor, que o mercado brasileiro vem tentando se adequar ao novo momento, modernizando as embalagens para atender às necessidades básicas: conveniência, saúde, segurança, estilo e sustentabilidade.

Mas, apesar de a pesquisa apontar alto índice de reconhecimento no item desenvolvimento de embalagens mais convenientes, segundo Assunta, o investimento ainda é muito reduzido. O mercado ainda oferece ao consumidor, por exemplo, embalagens difíceis de abrir, sem dispositivo para fechamento, pesadas e muitas vezes inseguras. E, para a especialista, a melhor maneira de mudar esse cenário é investir em conhecimento dos recursos disponíveis, por meio da formação de profissionais capacitados e preparados.

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Solução ecológica

Embalagem de alumínio combate desperdício de alimentos e preserva o meio ambiente

O desperdício mundial de alimentos impacta diretamente na preservação dos recursos naturais. A cada ano, 1,3 bilhões de toneladas vão para o lixo. Esses alimentos descartados utilizam um volume de água equivalente ao fluxo anual do rio Volga na Rússia e são responsáveis ​​pela emissão de mais de 3 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera do planeta ao ano, além de gerarem um custo de 750 bilhões de dólares anualmente.

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Os dados fazem parte do estudo “Os Rastros do Desperdício de Alimentos: Impactos sobre os Recursos Naturais”, realizado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e divulgado em 2013.

Os resultados mostram que o consumo consciente é uma importante arma no combate ao desperdício, começando pelas embalagens. As produzidas com alumínio, além de aumentarem o tempo de vida dos alimentos embalados, contribuem para reduzir o consumo de recursos naturais durante a produção, o transporte e o armazenamento.

Assista ao vídeo “Mais é Menos” e conheça as vantagens do alumínio para a sustentabilidade do planeta. O material foi produzido pela Associação Europeia de Folhas de Alumínio (Alufoil) e adaptado ao consumidor brasileiro pela Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) .