img-ext-mat-screwcaps

Europa investe na reciclagem de tampas de alumínio para vinhos

Aumento de 50% de coleta e reciclagem é impulsionado por campanhas nacionais de conscientização

Depois de conquistarem os apreciadores de vinho para o consumo da bebida envasada em garrafas com tampas de rosca, países europeus investem na reciclagem das screw caps de alumínio.

De acordo com dados divulgados pela campanha Aluminium Closures – Turn 360°, realizada pela Alufoil, Associação de Folha de Alumínio da Europa, a taxa média de reciclagem aumentou mais de 50% em 2016.

Grande parte dessa melhoria é resultado da aplicação de inovações nos sistemas de coleta e reciclagem. Em países europeus, as tampas de alumínio usadas em garrafas de vinho, assim como de água e azeite, são coletadas soltas ou juntamente com as garrafas.

Diversos países incentivam a prática do descarte correto, como acontece, por exemplo, na campanha nacional dinamarquesa Keep the Cap on. No Reino Unido, os consumidores são orientados a manter a tampa nas garrafas após o consumo, para facilitar a coleta. Campanhas semelhantes de orientação também são realizadas na Itália, para conscientizar a população sobre a viabilidade e a importância da reciclagem das tampas de rosca de alumínio.

 

img-potencial-de-mercado-externa-nova

Potencial de mercado

No Brasil e no exterior, demanda por praticidade e segurança  impulsiona crescimento da participação da folha de alumínio no setor  de embalagens

Projeções apontam para o crescimento contínuo da presença do alumínio no mercado de embalagens, devido a inovações tecnológias da indústria do alumínio e à crescente demanda por embalagens que ofereçam segurança de alimentos, praticidade e sustentabilidade.

Em relação à folha de alumínio, segundo Stefan Glimm, diretor geral da GLAFRI (Global Aluminium Foil Roller Initiative), 78% do material é aplicado em embalagens e o crescimento global do consumo de flexíveis está acima de 2% ao ano. Ao citar mercados com significativo potencial de crescimento para o uso de folha de alumínio, o diretor destaca a China, cuja participação alcança 62% do mercado mundial e o consumo per capita está em 0,5 kg . Com 1,372 bilhões de habitantes, a demanda por folha de alumínio no país asiático deverá aumentar 303 mil toneladas nos próximos anos, segundo projeções da GLAFRI.

No Brasil, de acordo com dados da Abal – Associação Brasileira do Alumínio, o setor de embalagem representa 37% das 378 mil toneladas/ano de alumínio produzidas no mercado nacional. A alta participação deve-se à expansão do consumo de latas, cartonadas assépticas e flexíveis. E o consumo per capita de folha de alumínio está em 0,5 kg, enquanto nos EUA chega a 1,8 kg. Dados que demonstram significativo potencial de expansão interna.

Para Glimm, um dos principais responsáveis pela projeção de crescimento da utilização da folha de alumínio é o combate ao desperdício de alimentos, que chega a 30% de toda produção mundial, e a sustentabilidade do planeta. O diretor ressalta a proteção oferecida pelo alumínio para a conservação dos alimentos e as inovações de embalagens possibilitadas pelas características do metal, o que vai ao encontro da campanha mundial Safe Food,  da qual participa a Eafa – Associação Europeia de Folha de Alumínio.

“No Brasil, setor de embalagens representa 37% das 378 mil toneladas/ano do alumínio produzido”

Entre os exemplos, Glimm destaca a utilização da tampa de rosca para vinhos, cujo desperdício pode chegar a 3% da produção devido ao “gosto de rolha” ou perda do sabor e do aroma. As screw caps de alumínio, segundo levantamento da  GLAFRI, já estão sendo usadas em 95% das bebidas produzidas na Nova Zelândia, 80% na Austrália e 60% na África do Sul. “Uma aplicação da folha de alumínio que deverá chegar a 100% da produção mundial de vinho”, acredita Glimm.

img-potencial-de-mercado-01-interna

Screm caps: tampa de rosca para vinhos. Uma aplicação da folha de alumínio que deverá chegar a 100% da produção mundial de vinho.

O desenvolvimento de novas embalagens com alumínio ainda auxiliam na redução da perda de alimentos prontos, cujo desperdício pode chegar a 40% devido à comercialização de grandes porções. Neste caso, as propriedades do alumínio favorecem a criação de embalagens menores ou individuais e também com alto poder de conservação.

Ao relacionar o desperdício de alimentos à necessidade de redução da pegada de carbono mundial, através do uso racional dos recursos naturais, Glimm destaca os diferenciais do ciclo de vida do alumínio e a reciclagem infinita do metal. No caso da produção de uma nova lata de bebida, por exemplo, a utilização de material reciclado pode gerar a redução de 70% das emissões de C02 e 71% do consumo de energia, em comparação ao alumínio primário.

Para o diretor da GLAFRI , a conquista dos resultados positivos desse cenário no segmento de embalagens depende de uma postura proativa da indústria na promoção dos benefícios do uso da folha de alumínio, em todas as regiões, em uma união mundial. Ele defende “um trabalho global junto à indústria de alimentos para discutir novas oportunidades de mercado”, conclui.

img-mat10-01

Tampa ou rolha?

Vantagens das screw caps de alumínio rompem preconceitos e dispensam o uso da rolha em garrafas de vinhos jovens

img-mat10-02

Trocar o saca-rolhas por um simples giro com as mãos para abrir garrafas de vinhos é uma facilidade que vem conquistando a preferência dos apreciadores da bebida na Europa, África do Sul, Nova Zelândia, Austrália, França, Estados Unidos, Chile e Argentina, onde as rolhas de cortiça estão sendo substituídas pelas tampas de alumínio, derrubando o estigma de falta de qualidade dos vinhos engarrafados sem rolhas.

De acordo com a sommelier Marcia Anholeti, a tampa de alumínio é utilizada para vinhos que não precisam de envelhecimento, vinhos jovens, brancos e rosés. Para essa categoria de vinhos a rolha não faz diferença, é apenas mais um charme e tradição. A rolha é um produto extremamente caro, além da árvore Sobreiro, da qual é extraída a cortiça, estar em extinção. “Sendo assim, o uso de rosca para vinhos com preços mais em conta também é uma solução para não elevar o preço final da bebida”, explica.

A rolha sintética é pouco aceita no mundo do vinho. Isso, segundo a especialista, porque o material não é poroso, o que não permite a “dilatação” necessária para um lacre 100%. Apenas ganha no quesito poder usar um saca-rolhas e manter a tradição de puxar a rolha.

Além da praticidade, o uso de screw caps favorece a conservação do aroma e do sabor da bebida. Um dos motivos de o vinho estragar é a entrada de oxigênio na garrafa. E com o fechamento com tampas de alumínio a garrafa fica completamente protegida da entrada de ar.

img-mat10-03

“As tampas de alumínio utilizadas para vedação de vinhos possuem uma camada protetora evitando o contato direto do metal com o líquido e não permitem a troca de oxigênio com o meio. Além disso, por se tratar de um material inerte e inorgânico, qualquer contaminação se torna impossível, garantindo as características aromáticas e o perfil de sabores originais do vinho”, explica o enólogo André Peres Jr.

O uso das tampas de alumínio ainda permite o armazenamento das garrafas na vertical e o fechamento após o consumo. O vinho também fica livre da transmissão do chamado “gosto de rolha”, o efeito bouchoneé, que tem origem em fungos que contaminam a rolha e ocorre em cerca de 5% a 6% das garrafas de todo o mundo.

Para os vinhos de guarda, os que precisam ser envelhecidos às vezes por décadas, a rolha continua a ser usada, embora já hajam testes para avaliar a evolução da bebida engarrafada com tampas de alumínio, segundo

Lourdes Conci da Silva, gerente de Marketing da Vinícola Aurora, uma das pioneiras no Brasil a adotar as tampa de rosca, que hoje são utilizadas em todas as linhas de vinho de mesa e de consumo rápido, cerca de 80% da produção.
Saiba mais no vídeo da sommelier Marcia Anholeti.