Tampa ou rolha?

Vantagens das screw caps de alumínio rompem preconceitos e dispensam o uso da rolha em garrafas de vinhos jovens

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Trocar o saca-rolhas por um simples giro com as mãos para abrir garrafas de vinhos é uma facilidade que vem conquistando a preferência dos apreciadores da bebida na Europa, África do Sul, Nova Zelândia, Austrália, França, Estados Unidos, Chile e Argentina, onde as rolhas de cortiça estão sendo substituídas pelas tampas de alumínio, derrubando o estigma de falta de qualidade dos vinhos engarrafados sem rolhas.

De acordo com a sommelier Marcia Anholeti, a tampa de alumínio é utilizada para vinhos que não precisam de envelhecimento, vinhos jovens, brancos e rosés. Para essa categoria de vinhos a rolha não faz diferença, é apenas mais um charme e tradição. A rolha é um produto extremamente caro, além da árvore Sobreiro, da qual é extraída a cortiça, estar em extinção. “Sendo assim, o uso de rosca para vinhos com preços mais em conta também é uma solução para não elevar o preço final da bebida”, explica.

A rolha sintética é pouco aceita no mundo do vinho. Isso, segundo a especialista, porque o material não é poroso, o que não permite a “dilatação” necessária para um lacre 100%. Apenas ganha no quesito poder usar um saca-rolhas e manter a tradição de puxar a rolha.

Além da praticidade, o uso de screw caps favorece a conservação do aroma e do sabor da bebida. Um dos motivos de o vinho estragar é a entrada de oxigênio na garrafa. E com o fechamento com tampas de alumínio a garrafa fica completamente protegida da entrada de ar.

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“As tampas de alumínio utilizadas para vedação de vinhos possuem uma camada protetora evitando o contato direto do metal com o líquido e não permitem a troca de oxigênio com o meio. Além disso, por se tratar de um material inerte e inorgânico, qualquer contaminação se torna impossível, garantindo as características aromáticas e o perfil de sabores originais do vinho”, explica o enólogo André Peres Jr.

O uso das tampas de alumínio ainda permite o armazenamento das garrafas na vertical e o fechamento após o consumo. O vinho também fica livre da transmissão do chamado “gosto de rolha”, o efeito bouchoneé, que tem origem em fungos que contaminam a rolha e ocorre em cerca de 5% a 6% das garrafas de todo o mundo.

Para os vinhos de guarda, os que precisam ser envelhecidos às vezes por décadas, a rolha continua a ser usada, embora já hajam testes para avaliar a evolução da bebida engarrafada com tampas de alumínio, segundo

Lourdes Conci da Silva, gerente de Marketing da Vinícola Aurora, uma das pioneiras no Brasil a adotar as tampa de rosca, que hoje são utilizadas em todas as linhas de vinho de mesa e de consumo rápido, cerca de 80% da produção.
Saiba mais no vídeo da sommelier Marcia Anholeti.