Indústria 4.0 revoluciona os processos produtivos

Em entrevista ao portal Embalagens de Alumínio, Mirelle Orpinelli, gerente regional de Desenvolvimento de Mercado Beauty + Home da Aptar para a América Latina, empresa multinacional especializada em sistemas de dispensadores de embalagens, destaca as inovações geradas pela Quarta Revolução Industrial.

 

Embalagens de Alumínio – Como pode ser definida a indústria 4.0?

Mirelle Orpinelli – De forma resumida, é um conceito que abrange as principais inovações tecnológicas nos campos de controle, automação e tecnologia da informação, aplicadas aos processos de manufatura. Processos que têm se tornado cada vez mais customizáveis, autônomos e eficientes. O fundamento básico implica que, conectando máquinas, sistemas e ativos, as empresas podem criar redes inteligentes ao longo de toda a cadeia produtiva para controlar módulos de forma autônoma.

A Indústria 4.0, também conhecida como “manufatura avançada” (ou “Quarta Revolução Industrial”), está modernizando todo o processo produtivo com a introdução de tecnologias como Internet das Coisas (IoT, em inglês), digitalização, Big Data e virtualização. Já é uma realidade em diversos países, e, de certa forma, também no Brasil. Como resultado, está sendo possível detectar e eliminar falhas, diminuir perdas através de equipamentos automatizados que “conversam” entre si. É uma transformação sem precedentes. Sobretudo de “mindset”.

 

EA – Podemos chamá-la de indústria da era da internet?

MO – Sim. É um termo bastante apropriado. Porque o conceito abrange uma “combinação” de serviços avançados de conectividade e automação, computação em nuvem, sensores e impressão 3D, algoritmos inteligentes e Internet das Coisas, para transformar negócios.

 

EA – O que muda no processo produtivo, quais as vantagens?

MO – As fábricas inteligentes têm a capacidade e a autonomia para agendar manutenções, prever falhas nos processos e se adaptar aos requisitos e mudanças não planejadas na produção, por exemplo. Essas são algumas evoluções que vêm agregando ao processo produtivo.

Para as indústrias, este modelo propicia economia de insumos, de energia, além de monitoramento remoto de equipamentos. Hoje, já existem plantas 100% robotizadas e que contam com pouquíssimos profissionais na linha de produção, porém altamente qualificados. É o caso, por exemplo, das indústrias automotiva, da moda, bens de consumo e também de embalagens. Vários mercados estão sendo demandados a criar produtos cada vez mais personalizados, permitindo que os clientes, de forma remota, “integrem” o processo de fabricação. O método de impressão 3D é um ótimo exemplo que vem sendo utilizado para acelerar pequenas produções, especialmente “edições limitadas.”

 

EA – E para os consumidores, quais os benefícios?

MO – Conhecer a origem da matéria-prima que compõe o produto, ter a opção de customizá-lo à distância, via internet, e acompanhar o trajeto da entrega são algumas das possibilidades da indústria 4.0 para os consumidores finais. A introdução dessas novas tecnologias propicia uma interface direta com a empresa, possibilitando que ele, o consumidor, possa verbalizar as suas preferências por produtos altamente customizáveis. Esse novo modelo produtivo consegue antecipar demandas, já que são os clientes que definem o que vai ser consumido.

 

EA – Quais os impactos para o segmento de embalagens?

MO – Essas transformações estão causando profundos impactos em diversos mercados, sobretudo no modo como os produtos são manufaturados. Especificamente no segmento de embalagens, a indústria está focada no estabelecimento de processos cada vez mais inovadores, personalizados e de altíssimo valor agregado, criando produções em redes mais precisas, de baixo custo e permitindo customizações com alta velocidade. A era digital está demandando embalagens diferenciadas e cada vez mais resistentes, que sejam fortes o suficiente para, por exemplo, suportar o envio pelos Correios.

Na Aptar, contamos com um comitê mundial de marketing e de desenvolvimento focado exatamente nessa questão, que lança no mercado global embalagens que atendam a essa demanda. Os nossos sistemas também já contemplam os diferentes estágios de processamento com preenchimento, fechamento e rotulagem do dispenser, conforme a necessidade do cliente. Inserimos e removemos especificações de modo simples. Desta forma, a nossa linha de produção passa a ser facilmente ajustada a diferentes formatos de produtos e de acordo com requisitos especiais.

 

EA – Qual o atual estágio de desenvolvimento da indústria 4.0 no mercado internacional?

MO – A digitalização está modernizando indústrias diversas ao redor do mundo. Já é uma realidade, podemos dizer, consolidada em países como Alemanha (berço do conceito de Indústria 4.0, a propósito) e Estados Unidos, porque existem grandes projetos e iniciativas com a participação da iniciativa privada e dos órgãos governamentais. Nos Estados Unidos, por exemplo, foi criada uma organização sem fins lucrativos chamada “Smart Manufacturing Leadership Coalition” para mostrar, com a ajuda de pesquisas, os benefícios da manufatura avançada e facilitar a sua adoção.

 

EA – O Brasil já está preparado para a indústria 4.0?

MO – Muitas indústrias brasileiras já automatizaram seus processos, mas ainda não é possível dizer que alcançamos a plenitude da manufatura digital. Investir em inovação e em educação é uma das principais formas de reverter o cenário, até mesmo para aumentar a compreensão do que é digitalização. Existem empresas e universidades trabalhando em torno da indústria 4.0, mas, segundo especialistas, o movimento ainda é disperso.  De acordo com um estudo publicado pela PwC, apenas 9% das empresas brasileiras se classificam como avançadas em níveis de digitalização. Para competir globalmente, a indústria nacional deve aumentar sua produtividade e sua participação na própria economia. Disposição e vontade não faltam, mas o Brasil precisa ousar para dar um salto de desenvolvimento e entrar de vez na nova era da indústria 4.0.

EA – A indústria de embalagens no Brasil está preparada para a indústria 4.0?

MO – A última edição da Fispal Tecnologia, Feira Internacional de Tecnologia para as Indústrias de Alimentos e Bebidas, que aconteceu recentemente no final de junho, demonstrou algumas tecnologias que vêm sendo aplicadas aos processos produtivos no âmbito da Indústria 4.0. Na ocasião, o consultor em Inovação Tecnológica Paulo Roberto dos Santos colocou que “Estamos vivendo o momento certo para a instalação da Indústria 4.0, por conta da perspectiva de retomada de crescimento do mercado, para fidelização de clientes e personalização do produto, de acordo com as exigências do consumidor. Agora é a vez da indústria mudar, pois o consumidor já está na era 4.0”, disse ele.

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