Potencial de mercado

No Brasil e no exterior, demanda por praticidade e segurança  impulsiona crescimento da participação da folha de alumínio no setor  de embalagens

Projeções apontam para o crescimento contínuo da presença do alumínio no mercado de embalagens, devido a inovações tecnológias da indústria do alumínio e à crescente demanda por embalagens que ofereçam segurança de alimentos, praticidade e sustentabilidade.

Em relação à folha de alumínio, segundo Stefan Glimm, diretor geral da GLAFRI (Global Aluminium Foil Roller Initiative), 78% do material é aplicado em embalagens e o crescimento global do consumo de flexíveis está acima de 2% ao ano. Ao citar mercados com significativo potencial de crescimento para o uso de folha de alumínio, o diretor destaca a China, cuja participação alcança 62% do mercado mundial e o consumo per capita está em 0,5 kg . Com 1,372 bilhões de habitantes, a demanda por folha de alumínio no país asiático deverá aumentar 303 mil toneladas nos próximos anos, segundo projeções da GLAFRI.

No Brasil, de acordo com dados da Abal – Associação Brasileira do Alumínio, o setor de embalagem representa 37% das 378 mil toneladas/ano de alumínio produzidas no mercado nacional. A alta participação deve-se à expansão do consumo de latas, cartonadas assépticas e flexíveis. E o consumo per capita de folha de alumínio está em 0,5 kg, enquanto nos EUA chega a 1,8 kg. Dados que demonstram significativo potencial de expansão interna.

Para Glimm, um dos principais responsáveis pela projeção de crescimento da utilização da folha de alumínio é o combate ao desperdício de alimentos, que chega a 30% de toda produção mundial, e a sustentabilidade do planeta. O diretor ressalta a proteção oferecida pelo alumínio para a conservação dos alimentos e as inovações de embalagens possibilitadas pelas características do metal, o que vai ao encontro da campanha mundial Safe Food,  da qual participa a Eafa – Associação Europeia de Folha de Alumínio.

“No Brasil, setor de embalagens representa 37% das 378 mil toneladas/ano do alumínio produzido”

Entre os exemplos, Glimm destaca a utilização da tampa de rosca para vinhos, cujo desperdício pode chegar a 3% da produção devido ao “gosto de rolha” ou perda do sabor e do aroma. As screw caps de alumínio, segundo levantamento da  GLAFRI, já estão sendo usadas em 95% das bebidas produzidas na Nova Zelândia, 80% na Austrália e 60% na África do Sul. “Uma aplicação da folha de alumínio que deverá chegar a 100% da produção mundial de vinho”, acredita Glimm.

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Screm caps: tampa de rosca para vinhos. Uma aplicação da folha de alumínio que deverá chegar a 100% da produção mundial de vinho.

O desenvolvimento de novas embalagens com alumínio ainda auxiliam na redução da perda de alimentos prontos, cujo desperdício pode chegar a 40% devido à comercialização de grandes porções. Neste caso, as propriedades do alumínio favorecem a criação de embalagens menores ou individuais e também com alto poder de conservação.

Ao relacionar o desperdício de alimentos à necessidade de redução da pegada de carbono mundial, através do uso racional dos recursos naturais, Glimm destaca os diferenciais do ciclo de vida do alumínio e a reciclagem infinita do metal. No caso da produção de uma nova lata de bebida, por exemplo, a utilização de material reciclado pode gerar a redução de 70% das emissões de C02 e 71% do consumo de energia, em comparação ao alumínio primário.

Para o diretor da GLAFRI , a conquista dos resultados positivos desse cenário no segmento de embalagens depende de uma postura proativa da indústria na promoção dos benefícios do uso da folha de alumínio, em todas as regiões, em uma união mundial. Ele defende “um trabalho global junto à indústria de alimentos para discutir novas oportunidades de mercado”, conclui.

Chocolates em alta

Embalagens de alumínio garantem proteção e nobreza aos produtos Premium, que representam 8% do mercado nacional

O mercado brasileiro está entre os três maiores produtores e consumidores de chocolate do mundo. Nos últimos anos, o país vem se especializando na produção de chocolates especiais e diversificação de sabores. E o alumínio tem uma presença marcante nas embalagens, em especial, no segmento de produtos Premium.

As informações são de Caio Tomazeli, diretor de Chocolates Premium da ABICAB – Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados, que ressalta o fato de a especialização da cadeia produtiva impactar na melhoria da qualidade do chocolate nacional.

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“Os chocolates Premium são um resultado desse processo. Em geral, esses produtos têm maior teor de cacau em sua composição, design e embalagem inovadores e menor tempo de validade para consumo. São produzidos em menor escala e geralmente comercializados em canais de venda exclusivos como lojas especializadas e redes de franquias”, explica Tomazeli. Além de marcas industriais, o segmento ainda inclui os chocolates especiais de confeitarias, os artesanais e marcas assinadas por chefs chocolatiers.

Segundo Tomazeli, o consumo do Premium, com exceção dos dois últimos anos, cresceu em média 20% ao ano e hoje representa um consumo de cerca de 8% do mercado de chocolates no Brasil. “Esse crescimento ocorreu devido à evolução dos hábitos de consumo do brasileiro, com crescimento de uma nova classe consumidora, e também devido à melhor qualidade dos chocolates brasileiros”.

“Chocolates Premium contam com embalagens que atraem o consumidor e protegem as características diferenciadas dos produtos”

Tomazeli ressalta o papel da embalagem nesse cenário evolutivo. Segundo ele, a embalagem tem grande importância, sendo que o design tem influência direta na percepção de valor do produto e também na manutenção das qualidades até o seu consumo final. “Quem trabalha com chocolates encontra no alumínio uma forma de proteger o produto. E quem consome reconhece essa garantia. E o alumínio ainda transfere conceitos de qualidade e nobreza ao chocolate”, garante.

Apesar de o alumínio ser uma excelente opção de embalagem, o diretor da ABICAB alerta:O alumínio oferece vantagens, mas não substitui outros cuidados como temperatura, umidade, controle de rotatividade e demais medidas de boas práticas necessárias ao controle de armazenagem de alimentos”, conclui.

Naturebas: precisamos falar sobre embalagens

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Milton Rego
Presidente executivo da ABAL

“100% Orgânico, 100% Feito à mão, 100% Vegetariano, 100% Natural.
Tudo muito bonito, mas…”

A preocupação pelo meio-ambiente é cada vez mais clara na sociedade. A percepção de que estamos usufruindo dos recursos do planeta a uma taxa superior à sua capacidade de regeneração é um consenso. Existem alguns que acham que esse discurso é um grande complô de países do primeiro mundo, mas isso é um ponto fora da curva.

As ideias de reciclagem, reúso e redução gradativamente se espalham nos setores industriais. Algumas empresas colocam esses objetivos dentro dos valores das companhias e se empenham efetivamente neles (embora ainda tenha muito greenwashing*).

As novas gerações e, em especial, os jovens que tiveram acesso a uma melhor educação já incorporaram isso no cotidiano e serão um vetor importante de mudança.

Mas se isso é claro para produtos industriais é um pouco mais nebuloso para os alimentos. Na verdade, os alimentos não estão tanto no radar do meio-ambiente, a não ser quando falamos de fome (restrito para algumas partes do mundo) ou desnutrição (daí sim acontecendo em uma grande parcela).

A relação com alimentos para os eco-friendly passa muito mais por uma questão estética, de volta às raízes, de concepção de vida. No mundo ideal, você compra comida orgânica, procura produtos vegan, vegetarianos ou no mínimo produtos que sejam certificados de bem-estar animal, cozinha alimentos slow-food com receitas comfort food; separa, recicla e fica em paz com seu estômago e com o ambiente.

Nesse caso, embalagens (e daí entra o alumínio – vide abaixo**) são coisa do mal; poluem, destroem as propriedades dos alimentos e refletem os objetivos da indústria e não dos consumidores. A conta é simples: menos embalagem = mais sustentabilidade.

E sejamos francos, a posição de consumir alimentos diretamente tem um apelo grande. Parece politicamente correta e sem contraindicações. Existem cadeias de supermercados na Europa (um exemplo alemão é o Original Unverpackt) em que você leva sua própria embalagem e compra a granel tudo, desde cereais, leite, carne até produtos de limpeza.

Mas vamos voltar a uma questão mais ampla: a produção e distribuição de alimentos no mundo – justamente aquela que ninguém estava se importando.

O desperdício dos alimentos e o impacto ambiental

A FAO calcula que 1/3 (exatamente – um terço!) da produção total dos alimentos é perdida, termina no lixo. Para vocês terem uma ideia do que isso significa, se todo esse alimento fosse produzido por um país, ele seria maior do que o Brasil, produzindo alimentos que ninguém iria comer; seria o terceiro maior produtor de gases de efeito estufa e também o terceiro em uso de água para irrigação. Esse é o tamanho do alimento que é perdido. E se formos para segmentos, quando chegamos em frutas e vegetais a perda é de 45% (sempre dados da FAO).

É fácil entender que, à medida que o alimento não é embalado, diminui muito o tempo que ele tem para ser consumido e, portanto, vai perder mais. Tudo bem, você pode pensar que uma fruta pode virar compota, por exemplo, mas isso, dentro do total de alimentos cultivados ou produzidos é uma exceção que confirma a regra. Lembre-se do leite, por exemplo, que em condições normais dura no máximo sete dias em geladeira e em uma embalagem longa vida, seis meses e sem necessidade de refrigeração! Perder alimento é desperdício: é mais energia, mais água, maior pegada de carbono.

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O quadro acima nos mostra, na cadeia de valor, onde se concentra o desperdício dos alimentos em economias em desenvolvimento e em economias desenvolvidas. Em cada uma dessas etapas existe um consumo de energia, de água e tem também uma pegada de carbono.

Isso vale para tudo: para uma salada, um bife (xô carnívoros), um sorvete, uma cerveja ou uma xícara de café. Da mesma forma, para cada um desses produtos existe uma parte que não é consumida e vai para o lixo.

Nessa semana eu estava em um Fórum discutindo sobre reciclagem. A ABAL quase sempre é chamada para conversar sobre esse tema uma vez que o alumínio é um dos grandes exemplos (senão “o” exemplo) de que a reciclagem deu certo. Nas conversas antes do debate, justamente no cafezinho, surgiu o tema de que optar por café coado seria uma opção sustentável. Nada mais justo. Mas depois do que discutimos acima, seria mesmo?

O papel da embalagem – o exemplo do café

No Congresso de Alumínio foi apresentado um estudo muito interessante com dados da Alufoil, ESU e BALAS cujo estudo está parcialmente aqui. Esse estudo compara a pegada de carbono e o desperdício de uma xícara de café que foi feita a partir de dois tipos de embalagem: café instantâneo versus uma embalagem de 500 g.

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É uma pesquisa muito detalhada e vou apenas dar o resultado (os quadros abaixo estão disponíveis aqui): tanto a pegada de carbono como o desperdício são reduzidos quando se compara uma embalagem de 2g com a de 500 gramas.

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Essa conclusão é muito interessante. Indica-nos que o desperdício de café e da água usada para produzir a xícara de café pelo método “tradicional” é responsável por um impacto maior do que da embalagem de 2g. Isso porque quando você faz café de coador, não bebe todo o café (na Europa cerca de 30% é jogado fora) além de que o pó também não é consumido após algum tempo***.

Notem que isso muda a maneira que pensamos embalagens. Dentro de um contexto de ciclo de vida o maior impacto que temos é o desperdício, ou seja, para esse exemplo é mais importante diminuir o desperdício do que procurar um consumo com “menos embalagem”.

Essa mesma conclusão chegou a Save Food Initiative, um projeto da FAO que tem como objetivo discutir e propor soluções para o desperdício de alimentos – vejam em http://www.save-food.org/.

Iguais a esse exemplo temos outros. No Congresso foram apresentados também exemplos para barra de chocolate, lasanha, manteiga.

Naturebas – temos que pensar sobre isso. Não quero ter uma posição unilateral, mas quero fomentar o debate sobre sustentabilidade e embalagens. A posição de ser contra embalagens não é necessariamente a mais adequada ao meio ambiente. Temos que pensar em transporte, manipulação dos alimentos, distribuição, maneiras de consumo e por aí vai. É a partir de toda a cadeia que devemos formar a nossa opção pela maneira do consumo.

Devemos ter uma visão de todo o processo. Existe um grande caminho a percorrer para tornar a nossa vida na Terra mais sustentável. Mas certamente não passa por excluir as embalagens…

 


 

 

* greenwashing = lavagem verde, em uma tradução literal. Dizem das empresas que utilizam, apenas como um instrumento de marketing, as ações ou valores ambientalistas sem que isso seja efetivamente traduzido em medidas concretas de mudanças de padrões.

** o alumínio é a principal barreira contra luz e gases em embalagens de alimentos; veja essa e muitas outras informações neste portal.

*** detalhes sobre o café e o alumínio, clique aqui.

Prêmio João Valiante de Jornalismo

Reportagem vencedora conta os benefícios sociais da reciclagem das latinhas de alumínio

A rotina dos catadores de latinhas e o impacto da reciclagem do alumínio nas vidas desses trabalhadores foram o tema da reportagem de Janaína de Oliveira Silva, da Agência RádioWeb, ganhadora da 9ª edição do Prêmio João Valiante de Jornalismo, concedido pela Abal – Associação Brasileira do Alumínio. 

A partir de informações sobre a reciclagem de 100% das latas de alumínio no Brasil, a jornalista produziu reportagem que vai além dos benefícios ambientais. “Me surpreendi ao constatar que um material tão simples, como as latinhas de refrigerante e cerveja, para os catadores vale ouro, pois é com ele que criam filhos e netos. E todos pretendem continuar na profissão que, apesar do cansaço e, muitas vezes, das péssimas condições de trabalho, gostam do que fazem e têm consciência que estão ajudando o meio ambiente”, conta Janaína.

A reportagem concorreu com as melhores produções sobre reciclagem do alumínio veiculadas na imprensa brasileira de 1º de janeiro de 2015 a 30 de abril de 2016. O conteúdo produzido pela RadioWeb  foi retransmitido para 320 rádios de 296 cidades  de Norte a Sul do país,  atingindo mais de 52 milhões de pessoas. 

img-premio-joao-valiante-01-internaO chefe de redação da agência, Wellington Mesquita, recebeu o prêmio em nome da autora da reportagem, durante o 7º Congresso Internacional do Alumínio e ExpoAlumínio 2016, no dia 9 de junho em São Paulo. Com patrocínio da Novelis do Brasil, o prêmio de 4 mil reais foi entregue pelo gerente de Negócios de Reciclagem da empresa, Luide Reis.

 

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Ouça aqui a reportagem vencedora da 9ª edição do Prêmio João Valiante de Jornalismo.

Trajetória de inovação

Especialistas expõem crescimento de mercado e potencial para a criação de soluções inovadoras

O atual cenário dos mercados nacional e internacional das embalagens de alumínio  foi o tema central de debate do painel  de Embalagens do  7º Congresso Internacional do Alumínio, realizado simultaneamente à edição 2016 da Expo Alumínio promovida pela Abal (Associação Brasileira do Alumínio), em São Paulo, de  7 a 9 de junho. 

Especialistas da indústria do alumínio e desenvolvedores de embalagens apresentaram estatísticas, inovações e tendências do segmento. Os palestrantes destacaram a participação do metal no desenvolvimento de embalagens que estão em sintonia com as necessidades e expectativas do consumidor contemporâneo: segurança dos alimentos, praticidade e sustentabilidade. 

De acordo com Celso Soares, coordenador do Comitê de Mercado de Embalagens da Abal, hoje o segmento é responsável peloconsumo de 37% da produção de alumínio  no país, o que representa 478 toneladas por ano. “Pesquisas constatam o crescimento contínuo da utilização do alumínio pelo mercado de embalagens.  O índice de participação registrado em 2013 era de 29%, com um consumo de 445 toneladas”, informou Soares.

Ao apresentar tendências do mercado internacional, Stefan Glimm, diretor geral da GLAFRI (Global Aluminium Foil Roller Initiative), ressaltou produtos que, graças aos avanços tecnológicos da produção da folha de alumínio, conquistam novos mercados na Europa. Entre eles Glimm destacou as tampas derosca para vinhos, hoje utilizadas pelas principais vinícolas europeias para bebidas de consumo rápido. Glimm disse acreditar que, em breve,  as tampas de alumínio também serão usadas em garrafas de vinhos de reserva, devido às vantagens dessa solução. 

“Com certeza, a expansão do uso da folha de alumínio em embalagens será contínua, já que suas potencialidades de aplicação são infinitas e as características próprias do metal são capazes de ampliar o shelf life dos alimentos, auxiliando no combate ao desperdício, que hoje está em 30% de toda produção mundial”, registrou o diretor geral da GLAFRI.

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Participantes do painel “Embalagens de Alumínio”.

Essa evolução, segundo Antonio Adão Parra, diretor comercial da fabricante Embalagens Flexíveis Diadema, também deve-se ao desenvolvimento de novas tecnologias de produção. Para exemplificar, Parra lembrou da trajetória das embalagens de café, produto que ao longo dos anos ganhou maior garantia de conservação de sabor e aroma. “As embalagens de papel foram substituídas por produtos inovadores devido à aplicação do alumínio. Hoje ometal nos permite, além das almofadas, oferecer modernas embalagens a vácuo”, afirmou.  

Em relação à aplicação do alumínio em substituição a embalagens tradicionais, o diretor da Tetra Pak, Salvador Marino, destacou o uso das cartonadas assépticas no segmento de azeites. O produto, tradicionalmente envasado em vidro ou lata de aço,  começa a contar com os benefícios de embalagens metalizadas.  De acordo com o executivo, assim como no caso dos azeites, “o alumínio é um forte aliado da empresa no desenvolvimento de soluções para o fornecimento de alimentos frescose sem conservantes, que aliam conveniência, praticidade e segurança”.